O Impacto da Ansiedade e Depressão na Jornada do Paciente

Talvez não seja novidade que a ansiedade e a depressão são mais prevalentes em pessoas com enxaqueca. Mas as consequências práticas disso são menos conhecidas e discutidas. Até chegar a um tratamento satisfatório, e muitos sequer chegam, os pacientes peregrinam por anos sem diagnóstico, fazendo exames às vezes desnecessários e buscando tipos diferentes de tratamentos. Nesse processo, a ansiedade e depressão pioram a situação.

Um recente estudo coordenado pelo Dr. Mario Peres, Presidente da ABRACES, coautorado pela psicóloga Dra. Juliane P. Mercante e o educador físico Dr. Arão Oliveira, membros da ABRACES também, mostrou como a ansiedade e depressão impactam na jornada dos pacientes em busca de tratamentos.

O fato mais importante é que ambas, depressão e ansiedade, foram mais frequentes em pessoas com enxaqueca crônica. Fato bem conhecido de outros estudos. Além disso, há achados específicos,  destacados abaixo.

Ansiedade

Segundo a pesquisa, pacientes com ansiedade severa usavam 10,7 vezes mais analgésicos que pacientes sem ansiedade. Esse dado pode estar relacionado ao medo de novas crises de dor de cabeça (ou “cefalalgiafobia”) gerando um comportamento antecipatório onde o analgésico é  tomado como forma de evitar uma crise, mas por vezes sem necessidade. Esse comportamento pode levar à cefaleia por uso excessivo de medicamentos, uma situação ainda pior e que aumenta a frequência de crises.

Outro dado importante, pacientes com ansiedade severa tiveram 70% menos chances de fazer exames laboratoriais, que pode ser reflexo do comportamento evitativo.

Depressão

Ter depressão severa foi associada à  60% menos chances de fazer tratamentos com fisioterapia. Segundo os autores, isso pode ser decorrente de um comportamento denominado “cinesiofobia” (medo de movimento), onde atividades físicas e corporais são evitadas. Nesse contexto, tal comportamento pode ser mais prejudicial ao paciente pois significa menos chance de experimentar terapias que podem beneficiá-lo.

Assim sendo, a ansiedade e a depressão pioram direta e indiretamente as crises de enxaqueca, afetando a trajetória do paciente até encontrar tratamentos eficazes.

Por isso, como sugerido no estudo, buscar ajuda de profissionais que atuam com foco nas cefaleias e saibam manejar sintomas psicológicos é fundamental para uma abordagem eficaz.

Esse estudo também reforça a ideia que pessoas com enxaqueca também se beneficiam dos cuidados com a saúde mental e atividade física regular!

Cuide-se!

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